A perda total é declarada pela seguradora quando o custo estimado do reparo de um veículo sinistrado ultrapassa o limite que ela considera economicamente viável consertar: normalmente uma faixa entre 70% e 75% do valor de mercado do veículo (frequentemente calculado pela Tabela FIPE), embora o percentual exato varie de seguradora para seguradora e conforme o contrato de apólice. Nesse ponto, ao invés de autorizar o reparo, a seguradora paga ao segurado o valor indenizatório do veículo e passa a deter a propriedade do que sobrou: o chamado "salvado".
O que acontece com o veículo depois da indenização. O salvado não é sucateado automaticamente: na maioria dos casos, ele é vendido pela seguradora em leilões especializados, os chamados leilões de salvados, geralmente arrematado por empresas de recuperação, desmanches ou revendedores especializados em reforma de veículos sinistrados. Dependendo da gravidade do dano, o destino pode ser a recuperação estrutural completa (com posterior revenda) ou o desmonte para aproveitamento de peças.
Regularização para voltar a circular. Um veículo de perda total recuperado só pode voltar a circular legalmente depois de passar por vistoria técnica junto ao DETRAN, que verifica a integridade estrutural, a numeração de chassi e motor, e a conformidade dos itens de segurança. O CRV desse veículo recebe uma observação indicando a passagem por sinistro de perda total: informação que, em teoria, deveria acompanhar o veículo permanentemente e ser visível a qualquer novo comprador que consulte o histórico.
O risco para quem compra sem saber. O problema não é a existência de carros de perda total recuperados no mercado (muitos rodam com segurança depois de reforma bem-feita e vistoria aprovada) mas sim a possibilidade de comprar um desses veículos sem saber do histórico, pagando o preço de um carro "zero sinistro" por um carro que já foi indenizado como perda total. Isso afeta tanto a segurança (se o reparo foi malfeito) quanto o valor de revenda futuro, que despenca quando o histórico vem à tona mais adiante.
Como verificar antes de comprar. O histórico de perda total, quando comunicado oficialmente pela seguradora, fica vinculado ao RENAVAM do veículo e pode ser identificado em uma consulta veicular completa. Antes de fechar negócio com um carro que apresente sinais de atenção (preço abaixo do mercado, documentação muito recente ou vendedor sem histórico de posse anterior) vale sempre cruzar essa consulta com uma vistoria física presencial.